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Dom Quixote - D'este viver aqui neste papel descripto - Cartas da Guerra (Opinião)

António Lobo Antunes



















"As cartas deste livro foram escritas por um homem de 28 anos na privacidade da sua relação com a mulher, isolado de tudo e de todos durante dois anos de guerra colonial em Angola, sem pensar que algum dia viriam a ser lidas por mais alguém. Não vamos aqui descrever o que são essas cartas: cada pessoa irá lê-las de forma diferente, seguramente distinta da nossa. Mas qualquer que seja a abordagem, literária, biográfica, documento de guerra ou história de amor, sabemos que é extraordinária em todos esses aspectos (...) Este é o livro do amor dos nossos pais, de onde nascemos e do qual nos orgulhamos. Nascemos de duas pessoas invulgares em tudo, que em parte vos damos a conhecer nestas cartas. O resto é nosso."
Maria José Lobo Antunes
Joana Lobo Antunes


Opinião
Este era um livro que há muito desejava ler. Finalmente decidi-me a comprá-lo e não me arrependo de o fazer.
António Lobo Antunes é um autor bastante reconhecido (foi este ano nomeado para Prémio Nobel da Literatura!) e era grande a curiosidade em ler alguma obra do autor. Confesso que tentei ler o Hei-de Amar Uma Pedra mas não se revelou tarefa fácil pelo que decidi começar pelo princípio, literalmente.
Demorei, no entanto, vários meses a acabar de o ler. Não porque se tenha revelado aborrecido. Antes pelo contrário. São "Cartas da Guerra" mas facilmente se poderiam intitular de "Cartas de Amor" pois é isso que na realidade são. Cartas de um homem apaixonado à sua esposa grávida no desespero criado pela distância e pela solidão.
Estas Cartas da Guerra foram enviadas por um António Lobo Antunes, casado de fresco, à sua mulher durante a Guerra do Ultramar. Durante o exílio forçado, o autor refugia-se na escrita daquele que virá a ser o seu primeiro livro e aí nos deparamos com aquelas que devem ser as dúvidas de qualquer potencial escritor perante a qualidade daquilo que escreve.
Nestas cartas apercebemos-se, também, dos diferentes estados de espírito que o assolam o escritor: ora conformado com a situação em que se encontra, ora levado ao desespero pela saudade e pela crueldade inerente à guerra.
São-nos "descriptas" as realidades de uma África em guerra. As dificuldades passadas pelos combatentes mas também a cultura indígena africana, rica em superstições.
Ao longo deste livro são várias as referências que o autor faz aos livros. Aqueles que já leu, aos que está a ler e àqueles que deseja que lhe enviem. A literatura parece ser, a par da escrita, um refúgio.
Apreciei bastante as imensas referência literárias que Lobo Antunes vai fazendo, ainda que nem sempre concorde com as mesmas. Partilho com ele a admiração pela obra "Cem Anos de Solidão" de Gabriel García Márquez, publicada poucos anos antes.
Depois desta leitura sinto-me tentada a ler outros livros do autor, principalmente Memórias de Elefante e Cus de Judas, os primeiros romances publicados pelo autor e profundamente marcados pelos momentos que nos são "descriptos" ao longo destas cartas.


Excertos

"De todos estes sul americanos o melhor é mesmo Os Cem Anos de Solidão,o mais rico de invenção, o mais barroco e o mais louco."

"Somos de resto tão pouco inteligentes quando amamos..."

João Ricardo Pedro participa no Clube de Leitores Bulhosa

João Ricardo Pedro participa no Clube de Leitores Bulhosa Campo de Ourique
25 de setembro, 18h30
Rua Tomás da Anunciação, 68-B 


 João Ricardo Pedro, vencedor do Prémio Leya 2011 com o livro O Teu Rosto Será o Último, editado pela Dom Quixote, participa no Clube de Leitores Bulhosa Campo de Ourique, hoje, terça-feira, 25 de setembro, às 18h30. A moderação está a cargo de Olga Marques.
João Ricardo Pedro nasceu em 1973, na Reboleira, Amadora. Curioso acerca da força de Lorentz, licenciou-se em Engenharia Eletrotécnica pelo Instituto Superior Técnico. Durante mais de uma década, trabalhou em telecomunicações sem, no entanto, alguma vez ter aplicado as admiráveis equações de Maxwell. Na primavera de 2009, em consequência do carácter caprichoso dos mercados, achou-se com mais tempo do que aquele de que necessitava para cumprir as obrigações do quotidiano. Num acesso de pragmatismo, começou a escrever. O Teu Rosto Será o Último é o seu romance de estreia.
O Clube de Leitores é uma atividade com uma regularidade mensal, na qual é discutido um livro de um autor português. O autor é sempre convidado para o clube, podendo os leitores discutir o livro e outros aspetos da sua obra com ele. O clube de Campo de Ourique começou no ano 2001, sendo peregrino na organização de comunidades de leitores.




Título: O teu Rosto Será o Último 
Autor: João Ricardo Pedro
Páginas: 208
Editora: Leya
PVP: 16,95 €
 










 SINOPSE
Tudo começa com um homem saindo de casa, armado, numa madrugada fria. Mas do que o move só saberemos quase no fim, por uma carta escrita de outro continente. Ou talvez nem aí. Parece, afinal, mais importante a história do doutor Augusto Mendes, o médico que o tratou quarenta anos antes, quando lho levaram ao consultório muito ferido. Ou do seu filho António, que fez duas comissões em África e conheceu a madrinha de guerra numa livraria. Ou mesmo do neto, Duarte, que um dia andou de bicicleta todo nu.
Através de episódios aparentemente autónomos - e tendo como ponto de partida a Revolução de 1974 -, este romance constrói a história de uma família marcada pelos longos anos de ditadura, pela repressão política, pela guerra colonial.
Duarte, cuja infância se desenrola já sob os auspícios de Abril, cresce envolto nessas memórias alheias - muitas vezes traumáticas, muitas vezes obscuras - que formam uma espécie de trama onde um qualquer segredo se esconde. Dotado de enorme talento, pianista precoce e prodigioso, afigura-se como o elemento capaz de suscitar todas as esperanças. Mas terá a sua arte essa capacidade redentora, ou revelar-se-á, ela própria, lugar propício a novos e inesperados conflitos?

Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada

Pablo Neruda


 
Pensando, Enredando Sombras...

Pensando, enredando sombras nesta profunda solidão.
Também tu andas longe, ah mais longe que ninguém.
Pensando, soltando pássaros, desvanecendo imagens,
enterrando lâmpadas.

Campanário de brumas, que longe, lá no alto!
Afogando lamentos, moendo esperanças sombrias,
moleiro taciturno,
de bruços te vem a noite, longe da cidade.

A tua presença é alheia, estranha a mim como uma coisa.
Penso, caminho longamente, a minha vida antes de ti.
Vida antes de ninguém, minha áspera vida.
O grito frente ao mar, por entre as pedras,
correndo livre, louco, no bafejo do mar.
A fúria triste, o grito, a solidão do mar.
Desbocado, violento, estirado para o céu.

Tu, mulher, que eras ali, que sulco, que vareta
desse leque imenso? Estavas longe como agora.
Incêndio no bosque! Arde em cruzes azuis.
Arde, arde, chameja, chispa em árvores de luz.
Despenha-se, crepita. Incêndio. Incêndio.
E a minha alma dança ferida por aparas de fogo.
Quem chama? Que silêncio povoado de ecos?
Hora da nostalgia, hora da alegria, hora da solidão,
hora minha entre todas!
Ronca em que o vento passa cantando.

Tanta paixão de pranto agarrada ao meu corpo.
Sacudir de todas as raízes,
assalto de todas as ondas!
Rodava, alegre, triste, interminável, a minha alma.

Pensando, enterrando lâmpadas nesta profunda solidão.

Mas quem és tu, quem és?
Pabro Neruda, Vinte Poemas de Amor e Uma canção Desesperada

Contos Completos (1947-1992)

Gabriel García Márquez



















Este volume reúne os contos escritos por Gabriel García Márquez desde os finais dos anos 1940, até meados dos anos 1990. Um conjunto de 41 histórias que nos permite desfrutar de todo o encanto e mestria do genial escritor colombiano, e que nos leva a um mundo inesquecível cuja realidade se expressa mediante fórmulas mágicas e lendárias.
Histórias fantásticas que reflectem a cultura sul-americana, misturando acontecimentos surreais e detalhes do quotidiano, escritas com o estilo que caracteriza a obra de García Márquez, em que os milagres se inserem na vida quotidiana e a prosa se aproxima inevitavelmente do seu destino fatal: a poesia.

Os Filhos da Meia-Noite

Salman Rushdie





Vencedor do Man Booker Prize 1981


 










À meia-noite do dia 15 de Agosto de 1947, no momento exacto da independência da Índia do Império Britânico, nasce em Bombaim Saleem Sinai... A sua vida vai acompanhar e sofrer todas as convulsões dos primeiros trinta anos de vida da Índia, incluindo a separação do Paquistão, a guerra Indo-Paquistanesa e o Estado de Emergência de Indira Ghandi. 
Esta obra, o mais impressionante fresco alguma vez escrito sobre a Índia contemporânea, conquistou em 1981 o Man Booker Prize, e recebeu em 1993 o Booker of Bookers, concedido ao melhor de todos os livros galardoados com o Man Booker Prize nos seus primeiros 25 anos de existência. Em 2008 foi declarado o melhor romance vencedor do Booker de todos os tempos.


Criticas de Imprensa
"Um épico maravilhoso... A prosa de Rushdie oscila entre duas velocidades, parando em imagens, vistas e personagens com uma presença inesquecível."
Newsweek

O Coração Das Trevas

Joseph Conrad






Uma obra maior, não só na produção literária de Conrad, mas na literatura universal.











Grande obra de um dos grandes autores de todos os tempos.
Hoje, tomado de assalto por um aluvião de estudiosos e uma infinidade de admiradores boquiabertos, torna-se difícil falar dele. Uso como desculpa um velho provérbio húngaro (“Qualquer bocadinho acrescenta, disse o rato, e fez chichi no mar”) para prevenir quem ler esta prosinha que Conrad, no seu melhor, é um dos grandes autores de todos os tempos e O Coração das Trevas um altíssimo e terrível livro, um conto (os contos ingleses, na sua época, eram compridíssimos) cheio de portas por onde entrar e nenhuma para sair, onde se caminha, página a página, no interior de um nevoeiro deslumbrante, construído em torno de Kurtz, criatura que quase não aparece e pouco fala e, no entanto, é o eixo em torno do qual toda a narrativa gira.
Denúncia do colonialismo, texto político, parábola da angústia do homem no tempo, relato da humanidade truncada, etc., pode bordar-se indefinidamente por cima do que Conrad fez.
Prefaciado por António Lobo Antunes.
 

Desgraça

J. M. Coetzee





"Desgraça valeu a J. M. Coetzee o seu segundo Booker Prize, em 1999. É um romance sombrio, da África do Sul pós-apartheid."











David Lurie, 52 anos, professor universitário na Cidade do Cabo, é expulso da Universidade por causa de um affair sexual com uma aluna. Decide então ir viver para a quinta da sua filha Lucy, uma ex-hippy que se convertera à terra. É ela que trata da herdade e tenta viver o melhor que pode a sua relação com os vizinhos negros. A determinada altura, a quinta é assaltada por três homens que violam Lucy, fecham o pai na casa-de-banho, vandalizam a casa e pegam-lhe fogo. O mundo de David Lurie desaba por completo. Como irá ele sobreviver-lhe?
Apesar de passado na África do Sul e de alguns dos episódios descritos nos trazerem à memória a actual crise do Zimbabwe, da qual o romance foi como que uma espécie de presságio, Desgraça é uma metáfora ácida sobre o mundo dos nossos dias escrito sem moralismos de qualquer espécie.

Breakfast at Tiffany's (Boneca de Luxo)

Truman Capote



















Um clássico da literatura norte-americana
Holly Golighly é mais do que uma boneca de luxo. Deslumbrante, espirituosa e ternamente vulnerável, inquietando as vidas dos que com ela se cruzam, é retratada por Truman Capote em Breakfast at Tiffany’s (Boneca de Luxo), um romance tocante e singelo sobre a amizade, que constitui uma autêntica história de sedução.
Verdadeiro clássico da literatura americana contemporânea, nele se inspirou Blake Edwards para o filme homónimo protagonizado por Audrey Hepburn. 


Críticas de Imprensa 
 
«Quase todos aqueles que hoje escrevem devem algo a Capote.»
The New York Times

As Velas Ardem Até ao Fim

Sándor Márai




Um dos melhores romances escritos no século XX, um livro indispensável!













Um pequeno castelo de caça na Hungria, onde outrora se celebravam elegantes saraus e cujos salões decorados ao estilo francês se enchiam de música de Chopin, mudou radicalmente de aspecto. O esplendor de então já não existe, tudo anuncia o final de uma época. Dois homens, amigos inseparáveis na juventude, sentam-se a jantar depois de quarenta anos sem se verem. Um passou muito tempo no Extremo Oriente, o outro, ao contrário, permaneceu na sua propriedade. Mas ambos viveram à espera deste momento, pois entre eles interpõe-se um segredo de uma força singular... 


Críticas de Imprensa

«Um portentoso tratado sobre a Amizade em forma de romance, uma obra-prima.»
Inês Pedrosa
 
«Um dos melhores romances escritos no século XX, se não o melhor»
Guía del Ocio

Cartas de Amor

Pablo Neruda



















Cartas de Pablo Neruda à sua mulher Matilde Urrutia, com quem viveu um amor intenso e prolongado. Perdurou desde 1949 até ao momento da morte do poeta, em Setembro de 1973.
A correspondência inédita reunida neste volume reflecte alguns dos principais momentos deste amor: ciúmes, carícias e alegrias enchem estas cartas, notas, desenhos e postais que se estendem desde finais de 1950 até meados de 1973 e que mostram o lado mais íntimo do poeta.
Uma relação fortíssima que produziu muitos poemas e muitos livros (Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada, ou Poemas de Amor, por ex.)
À semelhança das suas outras obras, este é um livro por onde perpassa todo um universo de magia e paixão, que sempre caracterizaram a escrita do autor de Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada, ou de Plenos Poderes.

Sem Sangue

Alessandro Baricco
















Quando os seus inimigos finalmente o encontram, Manuel Roca obriga Nina, a sua filha pequena, a meter-se num esconderijo debaixo de um alçapão na despensa, a partir do qual testemunhará o assassinato do seu pai e do seu irmão. Após a matança, Tito, um dos assassinos, encontra o esconderijo de Nina, mas, apiedado da inocência da criança, não diz nada aos seus cúmplices. Décadas mais tarde, Nina é uma intrigante mulher que passeia pela rua quando encontra um já idoso Tito a vender lotaria. Este encontro revelará até que ponto a traumática experiência da sua infância marcou ambas as personagens, e se serão alguma vez capazes de a superar.

Invencível

Laura Hillenbrand



















Maio de 1943: um bombardeiro americano despenha-se, deixando atrás de si apenas destroços, manchas de óleo e sangue. Pouco depois um jovem tenente iça-se para uma balsa salva vidas. Começa aí uma das mais extraordinárias odisseias da II Guerra Mundial. O tenente Louie Zamperini, em criança, tinha sido um delinquente, mas foi salvo pela paixão pela corrida. Chegou a correr nas Olimpíadas de Berlim - onde Hitler lhe apertou a mão. Mal sabia que, por causa do ditador nazi, viria a sofrer o acidente que o deixou perdido no Pacífico. Vagueou 7 semanas na balsa salva vidas, percorreu 3.500 quilómetros num oceano infestado de tubarões. Resistiu a tudo, com engenho, tenacidade, humor. Mas o pior estava para vir. Finalmente em terra, caiu nas mãos dos japoneses e tornou-se a presa favorita de um sádico oficial nipónico. 
Zamperini tem hoje 93 anos. É um herói. Sobreviveu à guerra, à monstruosidade dos homens. E sobreviveu a si mesmo, aos seus fantasmas, ao desejo insano de vingança, ao alcoolismo, a uma vida destroçada pela memória do Horror. 


«Zamperini viveu uma das mais extraordinárias histórias de sobrevivência de que há registo. E o que lhe aconteceu a seguir é igualmente impressionante. Faça a si próprio um favor e compre este livro.»
Vanity Fair 

O Doente Inglês

Michael Ondaatje















Num mosteiro em ruínas na Toscana, no final da Segunda Guerra Mundial, um enigmático homem ferido é atendido por uma jovem enfermeira. O seu corpo está totalmente queimado, mas luta ainda por dedicar o seu último alento ao relato de uma história tão bela como trágica. À experiência do paciente e da enfermeira une-se a de um atormentado sobrevivente e a um sapador de sikh. Enclausurados num limbo de brumosos claro-escuros, estes quatro estrangeiros de si próprios irão recompondo o mosaico das suas respectivas identidades através de uma série de lembranças e revelações que se entretecem numa comovedora história de amor e ciúmes.

Os Buddenbrook

Thomas Mann





Um extraordinário clássico da literatura. A ascensão e a decadência de uma família.












Os Buddenbrook narra a ascensão e a decadência de uma família burguesa alemã através de quatro gerações. Mais do que a crónica em torno da vida e costumes dos seus personagens, este romance é a metáfora exemplar das contradições e dilemas de uma classe, cujo poder e domínio se constroem sobre a fraude, a hipocrisia e a alienação. Ao mesmo tempo, como posteriormente acontecerá nos seus principais romances, Thomas Mann propõe e desenvolve o tema da arte como a instância privilegiada em que o homem pode reflectir sobre si, a sua época e o seu meio.  


Críticas de imprensa
«Este retrato obsessivamente minucioso da sociedade burguesa alemã, em jeito de saga familiar na tradição realista do século XIX, surge já como um romance de transição para o simbolismo das primeiras décadas do século XX. [… “Os Buddenbrook”] foi- usando uma expressão de Newton – os “ombros de gigante” sobre os quais se erigiu um século de literatura (as obras-primas de Mann incluídas).»
José Riço Direitinho, Público

A Sul. O Sombreiro

Pepetela





Um extraordinário e surpreendente romance repleto de aventuras.












"Manuel Cerveira Pereira, o conquistador de Benguela, é um filho de puta." Assim começa um grande romance de aventuras que nos conduz a Angola dos séculos XVI e XVII, enquanto Portugal vivia sob o domínio filipino. Entre lutas de poder, muitas conspirações, envolvendo governadores e ordens religiosas com os franciscanos e os jesuítas na linha da frente, travamos conhecimento com homens muito ambiciosos, com um inglês um pouco doido, e com os terríveis jagas, os guerreiros incomparáveis que povoavam os piores pesadelos dos brancos, ao mesmo tempo que nos deixamos encantar por um fugitivo que se torna um aventureiro e explorador de terras por desbravar.
O regresso de Pepetela com um empolgante romance ambientado nos primórdios do colonialismo, revelando uma época desconhecida da história de Angola.

Hoje Preferia Não Me Ter Encontrado

Herta Müller



















«Fui intimada.» 
Na viagem de elétrico que a leva às instalações da Polícia Secreta, hora marcada, dez em ponto, a jovem narradora vê a sua vida passada em revista: a infância na cidade de província, a fixação semierótica no pai, a deportação dos avós, o casamento ingénuo com o filho do «comunista perfumado», a felicidade precária que vive com Paul, apesar do fardo que a bebida impõe ao amor que ela lhe dedica. No exterior: marcações intransigentes, paragens, passageiros que entram e saem, o desfilar das ruas. Tudo pretende distrair a sua atenção, que constantemente regressa ao ponto de partida: «Fui intimada.» Quase chegada ao destino, levanta-se de repente uma altercação no carro elétrico que leva o guarda-freio a saltar precisamente a paragem em que devia sair. Vê-se então numa rua desconhecida, onde descobre Paul com um velho de aspeto suspeito. Decide então não comparecer ao interrogatório.

Goa ou o Guardião da Aurora

Richard Zimler





«De um rigor histórico notável, "Goa ou O Guardião da Aurora" é um policial histórico absorvente.»











Na colónia portuguesa de Goa, no final do séc. XVI, a Inquisição fazia enormes progressos na sua missão de impedir todos os 'bruxos' - quer fossem nativos hindus, quer imigrantes judeus - de praticarem as suas crenças tradicionais. Os que se recusavam a denunciar outros ou a renunciar à sua fé eram estrangulados por carrascos ou queimados em autos-de-fé.
Ao viver nos limites do território colonial, a família Zarco consegue manter firmes as suas raízes luso-judaicas. Tiago e a irmã, Sofia, gozam uma infância tranquila, aprendendo com o pai a ilustrar manuscritos e mergulhando no caos inebriante das festividades hindus celebradas pela sua amada cozinheira Nupi. Quando as crianças atingem a idade adulta, a família é destroçada quando primeiro o pai e depois o filho são presos pela Inquisição. Mas quem poderia tê-los traído? 
De um rigor histórico notável, Goa ou O Guardião da Aurora é simultaneamente um policial histórico absorvente e, na sua profunda exploração da natureza do mal, uma poderosa reinterpretação do Othello de Shakespeare. 
Na linha dos seus romances históricos anteriores - O Último Cabalista de Lisboa e Meia-Noite ou O Princípio do Mundo, Richard Zimler dá-nos um livro imaginativo, estimulante e profundamente sensível.

Os Funerais da Mamã Grande

Gabriel García Márquez



















Sob o tema dos funerais mitológicos, em 1962, Gabriel García Márquez reuniu num pequeno volume sete contos e a curta novela que lhe dá o título. Neste livro aparece já, em todo o seu esplendor, o elemento mágico e telúrico que a partir daí definirá a sua obra. Estamos uma vez mais em Macondo e na sua região, entre episódios e personagens reconhecíveis, numa série de contos impossíveis de esquecer. No último texto é preciso enterrar a Mamã Grande, soberana absoluta deste mundo, que faleceu com a fama de santidade aos 92 anos e a cujos funerais compareceu não só o Presidente da República, como até o Supremo Pontífice, na sua gôndola papal, além de camponeses, contrabandistas, cultivadores de arroz, prostitutas, feiticeiros e bananeiros, que ali se deslocaram propositadamente. Os seus bens, que datavam da época da conquista, eram incalculáveis. Abarcavam cinco municípios, 352 famílias e também a "riqueza do subsolo, as águas territoriais, as cores da bandeira, a soberania nacional, os partidos tradicionais, os direitos do homem, as liberdades dos cidadãos, o primeiro magistrado, a segunda instância, o terceiro debate, as cartas de recomendação", etc. Demora três horas a enumeração dos bens terrenos da Mamã Grande. Os seus herdeiros, no momento em que retiram do interior da casa o cadáver da defunta, fecham as portas e começam vorazmente a repartir a herança. 

Doze Contos Peregrinos

Gabriel García Márquez


















Doze Contos Peregrinos percorreu uma longa trajectória.
Escritas, 118 perdidas e reescritas, as histórias do projecto inicial acabaram por se reduzir a doze.
Histórias de solidão, amor, poder e morte, que Gabriel García Márquez soube criar com mão de mestre. 


Doze Contos Peregrinos é uma reunião de contos escritos por Gabriel García Márquez (Gabo) ao longo de 18 anos. 18 anos em que essas histórias foram escritas, reescritas, melhoradas, adaptadas e outras não tiveram a mesma “sorte” e foram descartadas pelo autor. De todas, ficaram os 12 contos que compõem este livro fantástico.
É composto pelos contos: A Santa; O Avião da Bela Adormecida; Boa viagem Senhor Presidente; Me alugo para Sonhar; Só vim telefonar; Assombrações de Agosto; Maria dos Prazeres; 17 Ingleses Envenenados, Tramontana; O Verão Feliz da Senhora Forbes; A Luz é como Água; e O Rastro do Teu Sangue na Neve. 
São contos que têm em comum as histórias de latino-americanos que vivem na Europa e que o autor descreve as suas aventuras e desventuras vividas nos ambientes frios e hostis de diferentes países da Europa. Para contar essas histórias Gabo faz uso de seu tão conhecido e elogiado “realismo mágico” e presenteia-nos com descrições incríveis dos ambientes, do carácter das personagens, das situações por eles vividas, dos cheiros, etc. São narrativas realmente envolventes, que não se parecem contos por passar a impressão de que são histórias maiores. Mas não, os contos que poderiam ter 250 páginas, cabem em 25, sem dano algum à narrativa e sem cansar o leitor. E isso acontece, em parte, pelo “realismo mágico” muito bem utilizado por ele neste livro e pelas narrativas de tom jornalístico. 
É, sem dúvida um dos melhores livros deste autor tão fantástico quanto seu realismo. Juntamente com Cem Anos de Solidão e O Amor nos Tempos de Cólera – considerados suas obras-primas – é um livro que deve ser lido e relido. Sempre!

Fonte: http://pt.shvoong.com/books/248112-doze-contos-peregrinos/