Portrait of a Lady

Frank Dicksee

O Apogeu de Miss Jean Brodie

Muriel Spark



Miss Jean Brodie é uma professora heróica. Romântica, heróica, cómica e trágica, as suas ideias são avançadas, entrando em conflito com as convenções estabelecidas. E quando decide transformar um grupo de jovens raparigas sob a sua tutela na nata da nata da escola Marcia Blaine, às quais inculca as suas ideias morais e estéticas com o propósito de lhes evitar um futuro de rotina e vulgaridade, ninguém consegue prever o que acontecerá.
Em troca da sua lealdade incondicional, o grupo Brodie é iniciado num mundo de jogos adultos e intrigas que nunca irá esquecer.

Excerto do ensaio de James Wood que acompanha o livro: «O Apogeu de Miss Jean Brodie (1961) é a melhor obra de Muriel Spark, e Jean Brodie é uma das poucas personagens de ficção do pós-guerra que alcançou um estatuto familiar. Mas o que significa amar uma personagem de ficção, e esta em particular? Se perguntarem às pessoas o que “sabem” acerca de Miss Brodie, é provável que elas citem alguns aforismos: “estou no meu apogeu”, “vocês são a nata da nata”, etc. Essas são as expressões famosas de Jean Brodie. Isto é, ninguém “conhece” Miss Brodie. Conhecêmo-la do mesmo modo que as suas alunas a conheciam: como uma colecção de frases feitas, uma actuação retórica, um espectáculo de professora. Na Escola Feminina Marcia Blaine, cada elemento do grupo Brodie é “famoso” por qualquer coisa: Mary Macgregor é famosa por ser estúpida, Rose é famosa pelo sexo, e assim por diante.
Miss Brodie, segundo parece, é famosa pelos seus ditos.»

It Must Have Been Love

Maria Mena

Aparição

Vergílio Ferreira



«Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro. Uma lua quente de verão entra pela varanda, ilumina uma jarra de flores sobre a mesa. Olho essa jarra, essas flores, e escuto o indício de um rumor de vida, o sinal obscuro de uma memória de origens. No chão da velha casa a água da lua fascina-me. Tento, há quantos anos, vencer a dureza dos dias, das ideias solidificadas, a espessura dos hábitos, que me constrange e tranquiliza. Tento descobrir a face última das coisas e ler aí a minha verdade perfeita. Mas tudo esquece tão cedo, tudo é tão cedo inacessível. Nesta casa enorme e deserta, nesta noite ofegante, neste silêncio de estalactites, a lua sabe a minha voz primordial. Venho à varanda e debruço-me para a noite. Uma aragem quente banha-me a face, os cães ladram ao longe desde o escuro das quintas, fremem no ar os insectos nocturnos. Ah, o sol ilude e reconforta. Esta cadeira em que me sento, a mesa, o cinzeiro de vidro, eram objectos inertes, dominados, todos revelados às minhas mãos. Eis que os trespassa agora este fluído inicial e uma presença estremece na sua face de espectros... Mas dizer isto é tão absurdo! Sinto, sinto nas vísceras a aparição fantástica das coisas, das ideias, de mim, e uma palavra que o diga coalha-me logo em pedra. Nada mais há na vida do que o sentir original, aí onde mal se instalam as palavras, como cinturões de ferro, aonde não chega o comércio das ideias cunhadas que circulam, se guardam nas algibeiras. Eu te odeio,meu irmão das palavras que já sabes um vocábulo para este alarme de vísceras e dormes depois tranquilo e me apontas a cartilha onde tudo já vinha escrito... E eu te digo que nada estava ainda escrito, porque é novo e fugaz e invenção de cada hora o que nos vibra nos ossos e nos escorre de suor quando se ergue à nossa face.»

Ophelia [lying in the meadow]

John William Waterhouse



1905
Andrew Llyod Weber Collection


Don' Explain

Cat Power

Cry Me A River

Michael Bublé