Reconciliação

Johann Wolfgang von Goethe

A paixão traz a dor! — Quem é que acalma
Coração em angústia que sofreu perda tal?
As horas fugidias — para onde é que voaram?
O que há de mais belo em vão te coube em sorte!
Turbado está o espírito, o agir emaranhado;
O mundo sublime — como foge aos sentidos!

Mas eis, com asas de anjo, surge a música,
Entrelaça aos milhões os sons aos sons
Pra varar, lado a lado, a alma humana
E de todo a afogar em eterna beleza:
Marejado o olhar, na mais alta saudade
Sente o preço divino dos sons e o das lágrimas.

E assim aliviado, nota em breve o coração
Que vive ainda e pulsa e quer pulsar,
Pra ofertar-se de vontade própria e livre
De pura gratidão pela dádiva magnânima.
Sentiu-se então — oh! pudesse durar sempre! —
A ventura dobrada da música e do amor.

in "Últimos Poemas do Amor, de Deus e do Mundo"
Tradução de Paulo Quintela

«Quais são as tuas palavras essenciais? As que restam depois de toda a tua agitação e projectos e realizações. As que esperam que tudo em si se cale para se ouvirem. As que talvez ignores por nunca as teres pensado. As que podem sobreviver quando o grande silêncio se avizinha.»

Vergílio Ferreira


Into The Ocean

Blue October

Sweet Moon

María Fernanda Mantilla




Fonte: http://www.mafepaintings.blogspot.com/


Portrait of a Lady

Frank Dicksee

O Apogeu de Miss Jean Brodie

Muriel Spark



Miss Jean Brodie é uma professora heróica. Romântica, heróica, cómica e trágica, as suas ideias são avançadas, entrando em conflito com as convenções estabelecidas. E quando decide transformar um grupo de jovens raparigas sob a sua tutela na nata da nata da escola Marcia Blaine, às quais inculca as suas ideias morais e estéticas com o propósito de lhes evitar um futuro de rotina e vulgaridade, ninguém consegue prever o que acontecerá.
Em troca da sua lealdade incondicional, o grupo Brodie é iniciado num mundo de jogos adultos e intrigas que nunca irá esquecer.

Excerto do ensaio de James Wood que acompanha o livro: «O Apogeu de Miss Jean Brodie (1961) é a melhor obra de Muriel Spark, e Jean Brodie é uma das poucas personagens de ficção do pós-guerra que alcançou um estatuto familiar. Mas o que significa amar uma personagem de ficção, e esta em particular? Se perguntarem às pessoas o que “sabem” acerca de Miss Brodie, é provável que elas citem alguns aforismos: “estou no meu apogeu”, “vocês são a nata da nata”, etc. Essas são as expressões famosas de Jean Brodie. Isto é, ninguém “conhece” Miss Brodie. Conhecêmo-la do mesmo modo que as suas alunas a conheciam: como uma colecção de frases feitas, uma actuação retórica, um espectáculo de professora. Na Escola Feminina Marcia Blaine, cada elemento do grupo Brodie é “famoso” por qualquer coisa: Mary Macgregor é famosa por ser estúpida, Rose é famosa pelo sexo, e assim por diante.
Miss Brodie, segundo parece, é famosa pelos seus ditos.»