Dance

Alphonse Mucha



Alphonse Mucha. Dance. From The Arts Series. 1898.
Color lithograph. 60 x 38 cm.

Memories

Within Temptation

With Arms Wide Open

Creed

Chéri

Colette



Chéri, romance publicado em 1920, aborda o delicado tema da sedução amorosa entre uma bela cortesã a caminho da meia-idade e um adolescente mimado. 
Chéri, de uma cálida voluptuosidade, rompe com os cânones da época - ele com as suas infantilidades e pequenos amuos, é quem se deixa amar. Ela, uma mulher experiente, aceita com serenidade o prazer que ele lhe proporciona e não descura nenhum pormenor da sua educação amorosa. Até que a mãe de Chéri resolve, convenientemente, casá-lo. Colette consegue evocar esta intimidade e o seu contexto com palavras precisas, sensuais e poéticas, que não excluem o sarcasmo em relação a um certo meio social e a análise subtil da psicologia feminina.
A tradução de José Saramago restitui-nos todos cambiantes da escrita de Colette com magnífica pujança e nitidez. Colette (1873-1954) é considerada uma das mais notáveis escritoras e mulheres da primeira metade do século XX.

«Nunca seria capaz de escrever como Colette. Nunca li nada que igualasse as suas descrições. Era uma escritora muito sensual e muito à frente do seu tempo. (…) A cena final é por demais comovente; leva-me às lágrimas.»
Oprah Winfrey
 
«Um excelente tópico, exposto com inteligência, mestria e compreensão dos mais secretos desejos carnais.»
André Gide
 
«Colette humanizava tudo aquilo em que tocava. Vivia e advogava a sensualidade; e entregou-se aos prazeres sensuais com tal delicadeza de percepção, com tal elegância na dor e no êxtase físicos, que elevou a sensualidade a excelência.»
The Times
 
«Chéri é a obra-prima de Colette.»
The New Republic
 
«Dramático e comovente…»
The New York Times


Love

Toni Morrison



Love é o oitavo romance da americana Toni Morrison. Publicada nos EUA em 2003, esta obra só agora chega às bancas portuguesas com tradução de Maria João Freire de Andrade e chancela da Dom Quixote. Toni Morrison, nome artístico de Chloe Anthony Wofford, nasceu em 1931 no Estado americano do Ohio.
Tendo-se estreado na literatura em 1970, depressa granjeou a simpatia dos leitores e da crítica, quer pelo poder épico das suas obras, quer pela carga poética e riqueza expressiva com que retrata a América Negra. Com efeito, enquanto escritora e enquanto cidadã, esta afro-descendente revelou desde sempre uma sensibilidade apurada pelos direitos civis e pela igualdade entre raças. Com vários prémios literários no currículo, Toni Morrison foi consagrada com o Prémio Nobel da Literatura em 1993.
Ao longo de dez capítulos, o primeiro dos quais sem numeração e constituindo uma espécie de prefácio, Toni Morrison narra a história de três gerações da família Cosey. Bill Cosey, o patriarca falecido há já 25 anos no presente diegético, Heed a sua segunda esposa, Christine a sua neta (da mesma idade de Heed) e May, mãe de Christine e nora de Bill. A acção passa-se numa cidade costeira chamada Silk, perto de Up Beach, onde Bill possuíra nos anos 40 o Cosey’s Hotel and Resort, um hotel de luxo frequentado pela classe mais alta da sociedade negra americana, que oferecia bom clima, boa praia, boa música e bom ambiente.
A ascensão e o declínio desta família, plasmados no próprio edifício do hotel, são contados por duas vozes narrativas distintas. A obra começa e termina na primeira pessoa do singular e em itálico, com a voz de L, uma narradora homodiegética. L é a antiga cozinheira do hotel, uma testemunha privilegiada dos acontecimentos narrados e aquela que, logo no primeiro capítulo se apresenta como aquela que vai contar “uma velha história popular”, ou melhor, “apenas mais outra história inventada para assustar mulheres perversas e castigar crianças desobedientes” (p.17). No entanto, L nunca chega a revelar o seu nome, pelo que o próprio título do livro, mantido em inglês pela tradutora portuguesa, poderá ser interpretado como o nome por detrás da inicial L. A maior parte do enredo é, no entanto, relatado por um narrado heterodiegético na terceira pessoa. A genialidade da autora reside precisamente no modo como este narrador, omnisciente, se cola à perspectiva de diversas personagens para revelar as várias versões dos mesmos acontecimentos. Dito de outro modo, o leitor é confrontado com várias visões da realidade e é a ele que cabe decidir em qual das versões deve acreditar. O poder de manipulação das palavras é extremamente exigente e só um leitor implicado poderá acompanhar o ritmo dialógico da narração.
Quanto à história propriamente dita, pode dizer-se que a narrativa começa com a chegada de Junior Viviane à Monarch Street, a rua onde se situa o palacete habitado e disputado por Heed e Christine. Estas duas mulheres, outrora amigas inseparáveis, vivem entregues a um sentimento de ódio e traição que elas próprias não sabem muito bem como ou por que razão começou. Será aliás a arqueologia dessa inimizade que funcionará como motor da narrativa. Junior Viviane é, por seu turno, uma espécie de quarta geração que, não estando unida pelos laços de sangue, é imediatamente acolhida no palacete e por lá ficará, também ela sequestrada pelo magnetismo do patriarca desaparecido.
Em cada capítulo, a história desta família vai sendo reescrita, explicada, expandida e refeita. As peças perdidas de um passado impossível de alterar, vão sendo descobertas e encaixadas como se de um puzzle se tratasse. O olhar do narrador heterodiegético é necessariamente caleidoscópico, pois só um olhar assim poderia almejar atingir os interstícios da realidade e trazer à luz do dia o amor que subjaz a todo o ódio que povoa o presente. O amor extremo impediu, no passado, a comunicação entre as personagens. Esse amor sem palavras tomou a forma de um ódio destruidor e homicida.
A pouco e pouco, o leitor vai ouvindo falar de outras mulheres que se cruzaram no caminho da família Cosey. Julia, a primeira mulher de Bill, morre quando o filho destes tem apenas doze anos. Já adulto, Billy Boy, o único filho de Cosey, casa com May, uma rapariga da classe média, filha de um pregador itinerante. Anos mais tarde, conhece a melhor amiga da neta Christine, Heed, e casa com a menina de apenas 11 anos. Este casamento choca a família e a comunidade, mas o poder e o dinheiro de Bill permitem-lhe fazer o que quer, sem se preocupar com o que os outros dizem. Será esta união perversa e imoral de um homem com uma criança que irá acelerar o trágico destino da família. May, a nora que entretanto fica viúva, sente o seu poder diminuído e a herança da filha ameaçada. Ela acaba com a amizade das duas crianças e torna a vida de Heed num inferno.
Estas mulheres e outras mulheres, das quais se destaca Celestial por ser a favorita de Bill, disputam ferozmente o amor e a atenção de Bill. As suas vidas são desperdiçadas nessa luta, até ao momento em que, um quarto de século volvido sobre a morte de Bill Cosey, tudo se esclarece. As tréguas chegam, no entanto, tarde de mais. O clã Cosey está já destruído e não há lugar para vencedores nem vencidos, apenas para sobreviventes.
O que esta obra surpreendente nos traz são motivos de reflexão intemporais e universais: a importância da comunicação, a fragilidade das relações humanas, a força edificante e/ou destruidora do amor, a importância da família, as implicações que um acto odioso pode ter no curso da nossa vida e no curso da vida dos outros. Em suma, Love lembra-nos que o amor não sobrevive à falta de comunicação e que a ausência de diálogo e de entendimento só poderão conduzir ao ódio.

Possession

A Casa dos Espíritos

Isabel Allende



Um best-seller e um sucesso da crítica na Europa e na América Latina, A Casa dos Espíritos é um épico magnífico à família Trueba - os seus amores, as suas ambições, as suas buscas espirituais, as suas relações e a sua participação na história do seu tempo, uma história que se torna destino e que os surpreende a todos.
Começa - no virar do século, num país da América do Sul sem nome - na casa de infância da mulher que se tornará a mãe e a avó do clã, Clara del Valle. Uma rapariga de coração bondoso e hipersensível, Clara foi distinguida desde tenra idade com capacidades telepáticas - consegue ler a sorte, mover objectos como se tivessem vida própria e prevê o futuro. A seguir à morte misteriosa da sua irmã, Rosa a Bela, Clara fica muda durante nove anos, resistindo a todas as tentativas para a fazer falar. Quando quebra o silêncio é para anunciar que se irá casar em breve.
O seu futuro marido é Esteban Trueba, um homem severo e obstinado, dado a acessos de raiva e assombrado por uma profunda solidão. Aos trinta e cinco anos regressa à capital para visitar a sua mãe moribunda e encontrar uma esposa. Foi em tempos o noivo de Rosa e a sua morte marcou-o tão profundamente como a Clara. Ele é o homem que Clara previu que se iria tornar seu marido. Por seu lado, Esteban irá conceber uma paixão por Clara que durará o resto da sua longa e rancorosa vida.
Acompanhamos este casal logo que se mudam para uma casa extravagante que ele constrói para ela, uma estrutura que todos chamam de "a casa grande da esquina", que cedo é povoada pelos amigos espiritualistas de Clara, artistas que patrocina, os casos de caridade pelos quais se interessa, pelos camaradas políticos de Esteban e, acima de tudo, pelas crianças: Blanca, uma rapariga prática e retraída que irá manter, para fúria do seu pai, uma relação para a vida com o filho do seu capataz; e os gémeos, Jaime e Nicolás, o primeiro solitário e taciturno, que se torna médico dos pobres e desafortunados e o segundo um playboy, um diletante das religiões orientais e das disciplinas míticas, e na terceira geração a filha de Blanca, Alba (a família não irá reconhecer o verdadeiro pai durante anos, tão grande é a fúria de Esteban), uma criança que irá ser acarinhada, mimada e educada por todos eles.
Por toda a sua boa sorte, pelos seus talentos naturais (e sobrenaturais), pelos fortes laços que os unem uns aos outros, os habitantes da "casa grande da esquina" não são imunes às grandes forças do mundo. Ao bater do século XX, à medida que Esteban se torna mais cortante na sua oposição ao comunismo, à medida que Jaime se torna amigo e confidente do líder socialista conhecido como "O Candidato", à medida que Alba se apaixona por um estudante radical, os Truebas tornam-se actores - e vítimas - numa trágica série de eventos que dá a A Casa dos Espíritos uma ressonância e significado mais profundos.
Esta é a realização suprema deste romance esplêndido que nos faz sentir membros desta grande, apaixonada (e, por vezes exasperante) família, a quem nos ligamos como se da nossa própria família se tratasse.
No panorama da actual literatura hispano-americana, nenhum nome de mulher tinha conseguido até agora ocupar um lugar cimeiro. Faltava pois uma romancista. A impecável desenvoltura estilística, a lucidez histórica e social e a coerência estética, patentes em A Casa dos Espíritos fazem do primeiro romance de Isabel, um livro inesquecível.