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Sextante Editora - As minhas lembranças observam-me (Novidade)

Tomas Tranströmer


Título: As minhas lembranças observam-me – seguido de Primeiros Poemas
Autor: Tomas Tranströmer
Págs.: 104
PVP: € 13,30
 
 
O único livro em prosa do Nobel 2011
 
Memórias de Tomas Tranströmer chegam às livrarias no dia 20 de Setembro.
 
 
 
 
 As minhas lembranças observam-me é o livro de memórias do poeta galardoado com o Prémio Nobel da Literatura 2011, Tomas Tranströmer. A edição cuidada da Sextante Editora, que é publicada no dia 20 de setembro, tem um posfácio do crítico e também poeta Pedro Mexia e inclui dez poemas inéditos e várias fotografias do autor e dos seus manuscritos.
Nesta obra, a única em prosa, Tranströmer narra a sua infância e adolescência na Suécia, seus hábitos e educação, e como descobriu a poesia. Trata-se de um livro indispensável para quem quiser conhecer melhor um dos poetas mais importantes do nosso tempo.


O LIVRO
«A minha vida.» Quando penso estas palavras, vejo diante de mim um rasto de luz. Observando melhor, a luz tem a forma de um cometa, com uma cabeça e uma cauda. A extremidade mais luminosa, a cabeça, é a infância e a idade do crescimento. O núcleo, a parte mais densa, é a primeira infância, quando são determinados os traços principais da nossa vida. Tento recordar-me, tento chegar lá. Mas é difícil movimentarmo-nos nessas regiões muito condensadas, e perigoso, tenho a sensação de que chegaria muito próximo da morte. Mais adiante, o cometa dilui-se: é a parte mais comprida, a cauda. Torna-se cada vez menos denso, mas também mais largo. Encontro-me agora num ponto muito avançado da cauda do cometa; tenho sessenta anos no momento em que escrevo estas linhas.


O AUTOR
Nascido em Estocolmo em 1931, Tomas Tranströmer estudou Poesia e Psicologia na Universidade de Estocolmo e, a par do seu trabalho como psicólogo com toxicodepentes e jovens delinquentes, construiu uma fulgurante carreira como poeta, várias vezes premiada e com livros publicados em mais de 60 línguas. Em 2011 foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Literatura. Hemiplégico e afásico devido a um AVC sofrido anos antes, Tranströmer agradeceu a distinção tocando piano. Vive atualmente na sua cidade natal com a mulher, Monica.


POEMA
este agora
eleva-se como fumo quente em ar frio
este sereno agora

o cão abandonou o seu latido
a lebre abandonou a sua angústia
a flauta abandonou a boca humana
e toca sozinha

neste pobre e belo agora que luta
contra a armada dos segundos
e se afoga num redemoinho
embora me vá sobreviver
 
 
 
 
 

Sextante Editora - Um dia na vida de Ivan Deníssovitch (Novidade)

Aleksandr Soljenítsin


Título: Um dia na vida de Ivan Deníssovitch
Autor: Aleksandr Soljenítsin
Tradutor: António Pescada
Págs.: 176
PVP: € 15,50



Clássico incontornável da
literatura russa

 





Romance do Nobel Aleksandr Soljenítsin inicia publicação de obra. 
Um dia na vida de Ivan Deníssovitch é o primeiro romance de Aleksandr Soljenítsin a ser publicado pela Sextante Editora e chega às livrarias no dia 20 de setembro. Vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 1970, Soljenítsin é um marco da literatura russa do século XX.
Esta obra, escrita enquanto o autor cumpria pena num campo de trabalho forçado por críticas a Estaline, tornou-se um símbolo da literatura russa por ter sido o primeiro romance publicado na União Soviética a relatar a vida num gulag. Soljenítsin narra não só a sua própria experiência – é, alias, uma fotografia sua que está na capa -, como a enriquece com a dos prisioneiros que conheceu e, à exceção do protagonista Ivan Deníssovitch, todas as personagens são reais.

 
O LIVRO
Expressamente citado pela Academia Sueca no momento da atribuição do Prémio Nobel de Literatura a Aleksandr Soljenítsin, em 1970, Um dia na vida de Ivan Deníssovitch foi o primeiro romance publicado na União Soviética relatando a vida nos campos de trabalho dos prisioneiros políticos e a repressão estalinista. Nessa altura, em 1962, embora causando grande polémica interna, a obra foi saudada em todo o mundo como símbolo da nova literatura russa e da abertura krutcheviana. Mas em 1974 Soljenítsin viria, depois de expulso da União dos Escritores, a ser detido e deportado. Um dia na vida de Ivan
Deníssovitch relata um dia de um prisioneiro num gulag do Cazaquistão.
Narrativa brilhante e densa, herdeira das grandes tradições da literatura russa.
A Sextante inicia com este romance a publicação em Portugal de obras de Aleksandr Soljenítsin pela primeira vez traduzidas diretamente do russo.

O AUTOR
Combateu na Segunda Guerra Mundial e esteve preso e internado em campos de trabalho forçado de 1945 a
1953, após críticas privadas a Estaline. Ilibado na sequência da «abertura» criada pelo famoso discurso de Krutchev denunciando os crimes estalinistas, foi professor e iniciou o seu percurso de escritor nos anos 50. Um dia na vida de Ivan Deníssovitch, classificado por Aleksandr Tvardovski, seu editor na revista Novy Mir, em 1962, como um «clássico», teve a sua publicação expressamente autorizada por Krutchev e foi estudado nas escolas.
Mas a vida de escritor de Soljenítsin viria a ser atribulada e reprimida na sequência da recusa pela União dos Escritores da publicação de Pavilhão de cancerosos e da atribuição do Prémio Nobel da Literatura em 1970. Foi expulso da União Soviética em 1974, vivendo na Suíça, em França e nos Estados Unidos até à queda do Muro de Berlim, após o que regressou a Moscovo, em 1994, sendo recebido triunfalmente. As suas obras marcaram indelevelmente a literatura russa do século XX, inserindo-se na grande tradição narrativa de nomes como Tchekov, Tolstoi e Dostoievski.
 

IMPRENSA

Sou um daqueles que a leitura de Soljenítsin lentamente e profundamente transformou: é um dever confessá-lo.
Philippe Sollers

Haverá na História um antes e um depois do surgimento fabuloso da voz, da escrita de Soljenítsin.
Jorge Semprún

Pela imensidão do testemunho, o rigor da arquitetura, o fôlego épico, a riqueza da emoção, a força da ironia, Soljenítsin impôs-nos a sua marca.
Georges Nivat







Contos Completos (1947-1992)

Gabriel García Márquez



















Este volume reúne os contos escritos por Gabriel García Márquez desde os finais dos anos 1940, até meados dos anos 1990. Um conjunto de 41 histórias que nos permite desfrutar de todo o encanto e mestria do genial escritor colombiano, e que nos leva a um mundo inesquecível cuja realidade se expressa mediante fórmulas mágicas e lendárias.
Histórias fantásticas que reflectem a cultura sul-americana, misturando acontecimentos surreais e detalhes do quotidiano, escritas com o estilo que caracteriza a obra de García Márquez, em que os milagres se inserem na vida quotidiana e a prosa se aproxima inevitavelmente do seu destino fatal: a poesia.

Desgraça

J. M. Coetzee





"Desgraça valeu a J. M. Coetzee o seu segundo Booker Prize, em 1999. É um romance sombrio, da África do Sul pós-apartheid."











David Lurie, 52 anos, professor universitário na Cidade do Cabo, é expulso da Universidade por causa de um affair sexual com uma aluna. Decide então ir viver para a quinta da sua filha Lucy, uma ex-hippy que se convertera à terra. É ela que trata da herdade e tenta viver o melhor que pode a sua relação com os vizinhos negros. A determinada altura, a quinta é assaltada por três homens que violam Lucy, fecham o pai na casa-de-banho, vandalizam a casa e pegam-lhe fogo. O mundo de David Lurie desaba por completo. Como irá ele sobreviver-lhe?
Apesar de passado na África do Sul e de alguns dos episódios descritos nos trazerem à memória a actual crise do Zimbabwe, da qual o romance foi como que uma espécie de presságio, Desgraça é uma metáfora ácida sobre o mundo dos nossos dias escrito sem moralismos de qualquer espécie.

Cartas de Amor

Pablo Neruda



















Cartas de Pablo Neruda à sua mulher Matilde Urrutia, com quem viveu um amor intenso e prolongado. Perdurou desde 1949 até ao momento da morte do poeta, em Setembro de 1973.
A correspondência inédita reunida neste volume reflecte alguns dos principais momentos deste amor: ciúmes, carícias e alegrias enchem estas cartas, notas, desenhos e postais que se estendem desde finais de 1950 até meados de 1973 e que mostram o lado mais íntimo do poeta.
Uma relação fortíssima que produziu muitos poemas e muitos livros (Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada, ou Poemas de Amor, por ex.)
À semelhança das suas outras obras, este é um livro por onde perpassa todo um universo de magia e paixão, que sempre caracterizaram a escrita do autor de Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada, ou de Plenos Poderes.
«Escrever é traduzir.
Mesmo quando estivermos a utilizar a nossa própria língua. Transportamos o que vemos e o que sentimos para um código convencional de signos, a escrita e deixamos às circunstâncias e aos acasos da comunicação a responsabilidade de fazer chegar à inteligência do leitor, não tanto a integridade da experiência que nos propusemos transmitir, mas uma sombra, ao menos, do que no fundo do nosso espírito sabemos ser intraduzível,por exemplo a emoção pura de um encontro, o deslumbramento de uma descoberta esse instante fugaz de silêncio anterior à palavra que vai ficar na memória como o rastro de um sonho que o tempo não apagará por completo.»
José Saramago

O Intruso

William Faulkner






Uma história de crime, violência e racismo numa cidade sulista.











O Intruso é um romance que aborda os preconceitos raciais, partindo de uma situação em que um negro é acusado de matar um branco. 
Este livro é quase um romance policial e nele acompanhamos a estratégia do acusado para se livrar do seu linchamento, ajudado pelo advogado Gail Stevens, personagem recorrente nas obras do autor.  

Autor vencedor do Nobel e de 2 Pulitzer Em 1929, William Faulkner dá-se a conhecer com Sartoris e, sobretudo, com O Som e a Fúria. Casa-se e retira-se para escrever durante vinte anos. É a época dos seus grandes livros entre outros: Absalão, Absalão; Santuário; O Intruso. Em 1949 recebe o Prémio Nobel.

Os Buddenbrook

Thomas Mann





Um extraordinário clássico da literatura. A ascensão e a decadência de uma família.












Os Buddenbrook narra a ascensão e a decadência de uma família burguesa alemã através de quatro gerações. Mais do que a crónica em torno da vida e costumes dos seus personagens, este romance é a metáfora exemplar das contradições e dilemas de uma classe, cujo poder e domínio se constroem sobre a fraude, a hipocrisia e a alienação. Ao mesmo tempo, como posteriormente acontecerá nos seus principais romances, Thomas Mann propõe e desenvolve o tema da arte como a instância privilegiada em que o homem pode reflectir sobre si, a sua época e o seu meio.  


Críticas de imprensa
«Este retrato obsessivamente minucioso da sociedade burguesa alemã, em jeito de saga familiar na tradição realista do século XIX, surge já como um romance de transição para o simbolismo das primeiras décadas do século XX. [… “Os Buddenbrook”] foi- usando uma expressão de Newton – os “ombros de gigante” sobre os quais se erigiu um século de literatura (as obras-primas de Mann incluídas).»
José Riço Direitinho, Público

O Sonho do Celta

Mario Vargas Llosa



















O Sonho do Celta baseia-se na vida do irlandês Roger Casement, cônsul britânico no Congo belga, em inícios do século XX, que durante duas décadas denunciou as atrocidades do regime de Leopoldo II. 
Este homem, amigo de Joseph Conrad (e que o guiou numa viagem pelo Rio Congo, revelando-lhe uma realidade mais tarde retratada no romance Coração das Trevas), teve uma vida extraordinária, plena de aventura. Acérrimo defensor dos direitos humanos ‹ como também o comprovam os relatórios que redigiu durante a estadia na Amazónia peruana - militou activamente, no fim da sua vida, o nacionalismo irlandês, acabando condenado à morte por traição e executado.

Hoje Preferia Não Me Ter Encontrado

Herta Müller



















«Fui intimada.» 
Na viagem de elétrico que a leva às instalações da Polícia Secreta, hora marcada, dez em ponto, a jovem narradora vê a sua vida passada em revista: a infância na cidade de província, a fixação semierótica no pai, a deportação dos avós, o casamento ingénuo com o filho do «comunista perfumado», a felicidade precária que vive com Paul, apesar do fardo que a bebida impõe ao amor que ela lhe dedica. No exterior: marcações intransigentes, paragens, passageiros que entram e saem, o desfilar das ruas. Tudo pretende distrair a sua atenção, que constantemente regressa ao ponto de partida: «Fui intimada.» Quase chegada ao destino, levanta-se de repente uma altercação no carro elétrico que leva o guarda-freio a saltar precisamente a paragem em que devia sair. Vê-se então numa rua desconhecida, onde descobre Paul com um velho de aspeto suspeito. Decide então não comparecer ao interrogatório.

Os Funerais da Mamã Grande

Gabriel García Márquez



















Sob o tema dos funerais mitológicos, em 1962, Gabriel García Márquez reuniu num pequeno volume sete contos e a curta novela que lhe dá o título. Neste livro aparece já, em todo o seu esplendor, o elemento mágico e telúrico que a partir daí definirá a sua obra. Estamos uma vez mais em Macondo e na sua região, entre episódios e personagens reconhecíveis, numa série de contos impossíveis de esquecer. No último texto é preciso enterrar a Mamã Grande, soberana absoluta deste mundo, que faleceu com a fama de santidade aos 92 anos e a cujos funerais compareceu não só o Presidente da República, como até o Supremo Pontífice, na sua gôndola papal, além de camponeses, contrabandistas, cultivadores de arroz, prostitutas, feiticeiros e bananeiros, que ali se deslocaram propositadamente. Os seus bens, que datavam da época da conquista, eram incalculáveis. Abarcavam cinco municípios, 352 famílias e também a "riqueza do subsolo, as águas territoriais, as cores da bandeira, a soberania nacional, os partidos tradicionais, os direitos do homem, as liberdades dos cidadãos, o primeiro magistrado, a segunda instância, o terceiro debate, as cartas de recomendação", etc. Demora três horas a enumeração dos bens terrenos da Mamã Grande. Os seus herdeiros, no momento em que retiram do interior da casa o cadáver da defunta, fecham as portas e começam vorazmente a repartir a herança. 

O Sonho mais Doce

Doris Lessing



















Anunciado dia 11 de Outubro de 2007 pela Academia Sueca, o Prémio Nobel da Literatura galardoou Doris Lessing, autora britânica de 87 anos. 
A Editorial Presença irá publicar a 19 de Outubro O Sonho Mais Doce, um romance de 2001, com tradução de Fernanda Pinto Rodrigues. 
Geralmente concedido a elementos do sexo masculino, Doris Lessing foi uma revelação tornando-se a décima primeira mulher a receber o prémio contra cento e cinco homens já laureados. Escritora incansável, Lessing evidencia-se pela limpidez narrativa e por um genial tratamento das personagens, lugares e situações. "Foi pioneira na criação de uma consciência feminista na literatura, tem uma atitude de observação do mundo interior e do mundo real", refere Hélder Macedo escritor e amigo pessoal da autora. Considerado o maior prémio no mundo das letras foi justamente atribuído a uma grande senhora cujo talento encanta pela inovação e sentido de humanidade. 

Em O Sonho Mais Doce, o leitor é conduzido por uma saga familiar que atravessa três gerações, centrando-se o enredo, sobretudo, na década de 60, altura em que a casa de Júlia Lennox alberga uma grande quantidade de jovens, personificando o espírito de liberdade prevalecente na Inglaterra de então. 
Recuando até 1914, a autora apresenta-nos Philip Lennox e a sua noiva Júlia, tendo como pano de fundo a I Guerra Mundial. Do casamento entre ambos nasce um filho Johnny, que se tornará um comunista muito activo. No limiar da II Grande Guerra Johnny apaixona-se por Frances, camarada do partido. Frances e os dois fiilhos que nascem desta união, abandonados por Johnny, vão morar com Júlia, entretanto já viúva. Já na década de 60, Sylvia, fruto de uma ligação amorosa de Jhonnny, também encontra refúgio em casa de Júlia. Sylvia sofre de anorexia mas apesar da doença consegue formar-se em medicina e depois de uma temporada em África regressa a Londres com dois jovens órfãos. Um retrato de três mulheres-coragem - Júlia, Frances e Sylvia - que aborda temas característicos de várias épocas como a guerra fria, a guerra do Vietname, as drogas, o surgimento da Sida em África, a anorexia e a depressão, entre outras. 


Críticas de imprensa

«Um romance notável: pelo seu vigor e pelo seu interesse na justiça e no bem. Marca Lessing como uma virtuosa do século XXI».
The Times 

«Os seus retratos das relações humanas são de uma beleza estonteante. Seria difícil descrever o esplendor deste livro».
The Times 

«Filosófico e divertido, povoado por personagens memoráveis. Este é o romance mais absorvente de Lessing em muitos anos».
The Times Suplemento Literário

«A grande dama das letras inglesas mergulha em 1960. Uma mais valia para os fãs de Lessing. Novos leitores serão atraídos pela sua perspectiva cheia de energia e perspicaz».
Publishers Weekly

«O sonho de uma sociedade perfeita é o centro do novo romance de Lessing».
Kirkus Reviews

«O brilhantismo dos seus personagens, a paixão das suas ideias e visão, mantêm-se. Ela vai subir ao panteão com Balzac e George Elliot».
Independent

«Doris Lessing aparece cada vez mais como uma figura olímpica».
Financial Times

«O Sonho Mais Doce aborda uma verdade universal: a capacidade para dar e receber amor.»
Observer

«Um livro surpreendente, incendiário e confiante».
Spectator


Doze Contos Peregrinos

Gabriel García Márquez


















Doze Contos Peregrinos percorreu uma longa trajectória.
Escritas, 118 perdidas e reescritas, as histórias do projecto inicial acabaram por se reduzir a doze.
Histórias de solidão, amor, poder e morte, que Gabriel García Márquez soube criar com mão de mestre. 


Doze Contos Peregrinos é uma reunião de contos escritos por Gabriel García Márquez (Gabo) ao longo de 18 anos. 18 anos em que essas histórias foram escritas, reescritas, melhoradas, adaptadas e outras não tiveram a mesma “sorte” e foram descartadas pelo autor. De todas, ficaram os 12 contos que compõem este livro fantástico.
É composto pelos contos: A Santa; O Avião da Bela Adormecida; Boa viagem Senhor Presidente; Me alugo para Sonhar; Só vim telefonar; Assombrações de Agosto; Maria dos Prazeres; 17 Ingleses Envenenados, Tramontana; O Verão Feliz da Senhora Forbes; A Luz é como Água; e O Rastro do Teu Sangue na Neve. 
São contos que têm em comum as histórias de latino-americanos que vivem na Europa e que o autor descreve as suas aventuras e desventuras vividas nos ambientes frios e hostis de diferentes países da Europa. Para contar essas histórias Gabo faz uso de seu tão conhecido e elogiado “realismo mágico” e presenteia-nos com descrições incríveis dos ambientes, do carácter das personagens, das situações por eles vividas, dos cheiros, etc. São narrativas realmente envolventes, que não se parecem contos por passar a impressão de que são histórias maiores. Mas não, os contos que poderiam ter 250 páginas, cabem em 25, sem dano algum à narrativa e sem cansar o leitor. E isso acontece, em parte, pelo “realismo mágico” muito bem utilizado por ele neste livro e pelas narrativas de tom jornalístico. 
É, sem dúvida um dos melhores livros deste autor tão fantástico quanto seu realismo. Juntamente com Cem Anos de Solidão e O Amor nos Tempos de Cólera – considerados suas obras-primas – é um livro que deve ser lido e relido. Sempre!

Fonte: http://pt.shvoong.com/books/248112-doze-contos-peregrinos/

Conversa n' A Catedral

Mario Vargas Llosa




Dizer que Conversa n' A Catedral é uma obra-prima da literatura universal é redundante, mas exacto.
Sentados a uma mesa da taberna A Catedral, o jornalista Santiago Zavala conversa com o seu amigo Ambrosio. Estamos em Lima, na época ditatorial do general Manuel A. Odría (1948-1956), e dessa conversa acompanhada de cerveja emerge um Peru cruel, corrupto, desesperançado, matéria-prima ideal, portanto, para um romance que só um grande jornalista e escritor como Vargas Llosa poderia ter produzido.
Uma história esplêndida que reúne muitos dos ingredientes que fizeram a fama do autor peruano - as críticas ácidas, a irreverência, a rebeldia e o humor sarcástico.

Conversa n’A Catedral é a crónica de uma ditadura e da resistência possível graças à palavra. Uma aguda reflexão sobre a identidade latino-americana e sobre a perda da liberdade.
Um romance que, mais do que um marco na carreira literária do autor, é um ponto de referência inevitável na história da literatura universal.

Memória das minhas putas tristes

Gabriel García Márquez



Memória das Minhas Putas Tristes conta a história de um velho jornalista de noventa anos que deseja festejar a sua longa existência de prostitutas, livros e crónicas com uma noite de amor com uma jovem virgem. Inspirado no romance A Casa das Belas Adormecidas do Nobel japonês Yasunari Kawabata, o consagrado escritor colombiano submerge-nos, num texto pleno de metáforas, nos amores e desamores de um solitário e sonhador ancião que nunca se deitou com uma mulher sem lhe pagar e nunca imaginou que encontraria assim o verdadeiro amor. Rosa Cabarcas, a dona de um prostíbulo, conduzi-lo-á à jovem com quem aprenderá que para o amor não há tempo nem idade e que um velho pode morrer de amor em vez de velhice. A escrita incomparável de Gabriel García Márquez num romance que é ao mesmo tempo uma reflexão sobre a velhice e a celebração das alegrias da paixão.

«No ano dos meus noventa anos quis oferecer a mim mesmo uma noite de amor louco com uma adolescente virgem. Lembrei-me de Rosa Cabarcas, a dona de uma casa clandestina que costumava avisar os seus bons clientes quando tinha uma novidade disponível. Nunca sucumbi a essa nem a nenhuma das suas muitas tentações obscenas, mas ela não acreditava na pureza dos meus princípios. A moral também é uma questão de tempo, dizia com um sorriso maligno, tu verás.»
«A inspiração não avisa, disse eu.»

«Nunca pensei na idade como uma goteira no tecto que nos indica a quantidade de vida que vai restando.»

«A minha única explicação é que assim como os factos reais se esquecem, também alguns que nunca existiram podem estar nas recordações como se tivessem existido.»

«(...) tomei consciência de que a força invencível que impulsiona o mundo não são os amores felizes, mas os contrariados.»

«A verdade era que não podia com a minha alma.»

Love

Toni Morrison



Love é o oitavo romance da americana Toni Morrison. Publicada nos EUA em 2003, esta obra só agora chega às bancas portuguesas com tradução de Maria João Freire de Andrade e chancela da Dom Quixote. Toni Morrison, nome artístico de Chloe Anthony Wofford, nasceu em 1931 no Estado americano do Ohio.
Tendo-se estreado na literatura em 1970, depressa granjeou a simpatia dos leitores e da crítica, quer pelo poder épico das suas obras, quer pela carga poética e riqueza expressiva com que retrata a América Negra. Com efeito, enquanto escritora e enquanto cidadã, esta afro-descendente revelou desde sempre uma sensibilidade apurada pelos direitos civis e pela igualdade entre raças. Com vários prémios literários no currículo, Toni Morrison foi consagrada com o Prémio Nobel da Literatura em 1993.
Ao longo de dez capítulos, o primeiro dos quais sem numeração e constituindo uma espécie de prefácio, Toni Morrison narra a história de três gerações da família Cosey. Bill Cosey, o patriarca falecido há já 25 anos no presente diegético, Heed a sua segunda esposa, Christine a sua neta (da mesma idade de Heed) e May, mãe de Christine e nora de Bill. A acção passa-se numa cidade costeira chamada Silk, perto de Up Beach, onde Bill possuíra nos anos 40 o Cosey’s Hotel and Resort, um hotel de luxo frequentado pela classe mais alta da sociedade negra americana, que oferecia bom clima, boa praia, boa música e bom ambiente.
A ascensão e o declínio desta família, plasmados no próprio edifício do hotel, são contados por duas vozes narrativas distintas. A obra começa e termina na primeira pessoa do singular e em itálico, com a voz de L, uma narradora homodiegética. L é a antiga cozinheira do hotel, uma testemunha privilegiada dos acontecimentos narrados e aquela que, logo no primeiro capítulo se apresenta como aquela que vai contar “uma velha história popular”, ou melhor, “apenas mais outra história inventada para assustar mulheres perversas e castigar crianças desobedientes” (p.17). No entanto, L nunca chega a revelar o seu nome, pelo que o próprio título do livro, mantido em inglês pela tradutora portuguesa, poderá ser interpretado como o nome por detrás da inicial L. A maior parte do enredo é, no entanto, relatado por um narrado heterodiegético na terceira pessoa. A genialidade da autora reside precisamente no modo como este narrador, omnisciente, se cola à perspectiva de diversas personagens para revelar as várias versões dos mesmos acontecimentos. Dito de outro modo, o leitor é confrontado com várias visões da realidade e é a ele que cabe decidir em qual das versões deve acreditar. O poder de manipulação das palavras é extremamente exigente e só um leitor implicado poderá acompanhar o ritmo dialógico da narração.
Quanto à história propriamente dita, pode dizer-se que a narrativa começa com a chegada de Junior Viviane à Monarch Street, a rua onde se situa o palacete habitado e disputado por Heed e Christine. Estas duas mulheres, outrora amigas inseparáveis, vivem entregues a um sentimento de ódio e traição que elas próprias não sabem muito bem como ou por que razão começou. Será aliás a arqueologia dessa inimizade que funcionará como motor da narrativa. Junior Viviane é, por seu turno, uma espécie de quarta geração que, não estando unida pelos laços de sangue, é imediatamente acolhida no palacete e por lá ficará, também ela sequestrada pelo magnetismo do patriarca desaparecido.
Em cada capítulo, a história desta família vai sendo reescrita, explicada, expandida e refeita. As peças perdidas de um passado impossível de alterar, vão sendo descobertas e encaixadas como se de um puzzle se tratasse. O olhar do narrador heterodiegético é necessariamente caleidoscópico, pois só um olhar assim poderia almejar atingir os interstícios da realidade e trazer à luz do dia o amor que subjaz a todo o ódio que povoa o presente. O amor extremo impediu, no passado, a comunicação entre as personagens. Esse amor sem palavras tomou a forma de um ódio destruidor e homicida.
A pouco e pouco, o leitor vai ouvindo falar de outras mulheres que se cruzaram no caminho da família Cosey. Julia, a primeira mulher de Bill, morre quando o filho destes tem apenas doze anos. Já adulto, Billy Boy, o único filho de Cosey, casa com May, uma rapariga da classe média, filha de um pregador itinerante. Anos mais tarde, conhece a melhor amiga da neta Christine, Heed, e casa com a menina de apenas 11 anos. Este casamento choca a família e a comunidade, mas o poder e o dinheiro de Bill permitem-lhe fazer o que quer, sem se preocupar com o que os outros dizem. Será esta união perversa e imoral de um homem com uma criança que irá acelerar o trágico destino da família. May, a nora que entretanto fica viúva, sente o seu poder diminuído e a herança da filha ameaçada. Ela acaba com a amizade das duas crianças e torna a vida de Heed num inferno.
Estas mulheres e outras mulheres, das quais se destaca Celestial por ser a favorita de Bill, disputam ferozmente o amor e a atenção de Bill. As suas vidas são desperdiçadas nessa luta, até ao momento em que, um quarto de século volvido sobre a morte de Bill Cosey, tudo se esclarece. As tréguas chegam, no entanto, tarde de mais. O clã Cosey está já destruído e não há lugar para vencedores nem vencidos, apenas para sobreviventes.
O que esta obra surpreendente nos traz são motivos de reflexão intemporais e universais: a importância da comunicação, a fragilidade das relações humanas, a força edificante e/ou destruidora do amor, a importância da família, as implicações que um acto odioso pode ter no curso da nossa vida e no curso da vida dos outros. Em suma, Love lembra-nos que o amor não sobrevive à falta de comunicação e que a ausência de diálogo e de entendimento só poderão conduzir ao ódio.

O Ano Da Morte De Ricardo Reis

José Saramago



Foi na biblioteca da escola industrial que O Ano da Morte de Ricardo Reis começou a ser escrito... Ali encontrou um dia o jovem aprendiz de serralheiro (teria então 17 anos) uma revista - Atena era o título - em que havia poemas assinados com aquele nome e, naturalmente, sendo tão mau conhecedor da cartografia literária do seu país, pensou que existia em Portugal um poeta que se chamava assim: Ricardo Reis.
Não tardou muito tempo, porém, a saber que o poeta propriamente dito tinha sido um tal Fernando Nogueira Pessoa que assinava poemas com nomes de poetas inexistentes nascidos na sua cabeça e a que chamava heterónimos, palavra que não constava dos dicionários da época, por isso custou tanto trabalho ao aprendiz saber o que ela significava. Aprendeu de cor muitos poemas de Ricardo Reis («Para ser grande sê inteiro/Põe quanto és no mínimo que fazes»), mas não podia resignar-se, apesar de tão novo e ignorante, a que um espírito superior tivesse podido conceber, sem remorso, este verso cruel: «Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo.»
Muito, muito tempo depois, o aprendiz, já de cabelos brancos e um pouco mais sábio das suas próprias sabedorias, atreveu-se a escrever um romance para mostrar ao poeta das Odes alguma coisa do que era o espetáculo do mundo nesse anos de 1936 em que o tinha posto a viver nos seus últimos dias: a ocupação da Renânia pelo exército nazista, a guerra de Franco contra a República espanhola, a criação por Salazar das milícias fascistas portuguesas. Foi como se estivesse a dizer-lhe: «Eis o espetáculo do mundo, meu poeta das amarguras serenas e do cepticismo elegante. Desfruta, goza, contempla, já que estar sentado é a tua sabedoria...»
José Saramago

Ricardo Reis nasceu em 1887
(Não me lembro do dia e do mês,
mas tenho-os algures),
no Porto, é médico
e está presentemente no Brasil
Fernando Pessoa
(carta de 13 de Janeiro de 1935)


Ricardo Reis regressou
a Portugal depois da morte
de Fernando Pessoa.
José Saramago

A Pianista

Elfriede Jelinek




Prémio Nobel da Literatura 2004

Ela não bebe, não fuma, dorme ainda, aos 36 anos, na cama da mãe e adora ficar em casa.
De cada vez que os seus horários de professora de piano no Conservatório de Viena lho permitem, entretém-se porém a frequentar os “peep-shows” e outros espectáculos pornográficos. Quando um dos seus alunos se apaixona por ela, Erika Kohut apenas tem para lhe oferecer uma relação sado-masoquista, onde se joga à luz dos dias de hoje a velha relação entre o escravo e o senhor.
Cruel, feroz e ao mesmo tempo de um cómico irrestível, A Pianista não poupa as veneráveis instituições da sociedade burguesa e põe a nu os labirintos do sexo e das suas nevroses.

Considerada na Áustria e na Alemanha como a mais importante autora da sua geração, Elfriede Jelinek tem já publicado em Portugal o seu romance Lust.

"Pela sua crueldade e crueza, o romance de Elfriede Jelinek evoca certos quadros expressionistas de Kokoschka. Decadente, fim de século, irónico e arrepiante, ele provoca a fascinação ou o repúdio, mas em caso algum nos deixa indiferentes." -
Claire Julliard, Lire

"Os seus livros valeram a Elfriede Jelinek ser tão contestada no seu país como Thomas Bernhard. O que é para nós uma referência." -
Dominique Autrand

As Vinhas da Ira

John Steinbeck



No resumo da edição portuguesa lê-se: "As Vinhas da Ira é um romance sobre a dignidade humana em condições desesperadas."
É a história de uma família de agricultores de Oklahoma que migram para a Califórnia em busca de trabalho durante a Grande Depressão. Entre 1930 e 1939, as grandes planícies do Texas e do Oklahoma foram assoladas por centenas de tempestades de poeira que causaram um desastre ecológico sem precedentes, agravaram os efeitos da Grande Depressão, deixaram cerca de meio milhão de americanos sem casa, e provocaram o êxodo de muitos deles para Oeste, nomeadamente para a Califórnia, em busca de trabalho.
Em As Vinhas da Ira, a família Joad encontra-se nesta viagem à procura de uma nova vida com milhares de migrantes que se deslocam pelos mesmos motivos. Todos em velhos camiões.
E noite após noite, eles e os seus companheiros de desdita reinventam toda uma sociedade: escolhem-se líderes, redefinem-se códigos implícitos de generosidade, irrompem acessos de violência, de desejo brutal, de raiva assassina.
Este romance que é universalmente considerado a obra-prima de John Steinbeck é o retrato épico do desapiedado conflito entre os poderosos e aqueles que nada têm, do modo como um homem pode reagir à injustiça, e também da força tranquila e estóica de uma mulher.
As Vinhas da Ira é um marco da literatura norte-americana.

Crónica de Uma Morte Anunciada

Gabriel García Márquez



Vítima da denúncia falaciosa de uma mulher repudiada na noite de núpcias, o jovem Santiago Nasar foi condenado à morte pelos irmãos da sua hipotética amante, como forma de vingar publicamente a sua honra ultrajada e sob o olhar cúmplice ou impotente da população expectante de uma aldeia colombiana: é esta a história verídica que serve de base a este romance, e que, logo nas suas primeiras linhas, é enunciada.
A capacidade de Gabriel García Márquez em reconstruir um universo possuído pela nostalgia, mágica e encantatória da infância e a sua genial mestria em contar histórias fazem deste romance mais uma das obras-primas que consagraram definitivamente este autor.

«Acredita sempre que o melhor romance é o último; mas eu acredito que este é o melhor romance no sentido em que consegui fazer exactamente aquilo que queria.»
Gabriel García Márquez